A fase final do Paulistão de 92

Rápida visita à fase final do Campeonato Paulista de 1992… Muitos craques, inovações táticas e revelações como, por exemplo, o futuro melhor do mundo, Rivaldo.

Lance da partida entre Palmeiras e São Paulo em 1992. O zagueiro Ronaldão tenta desarmar o atacante Evair.

Lance da partida entre Palmeiras e São Paulo em 1992. O zagueiro Ronaldão tenta desarmar o atacante Evair.

A fase decisiva tinha 8 equipes. Divididas em dois grupos de 4, os clubes se enfrentavam em jogos de ida e volta dentro de seus respectivos grupos e quem somasse mais pontos estava na final.

No Grupo II o São Paulo, que tinha acabado de conquistar a Libertadores pela primeira vez, desfilava seu bom futebol e facilmente deixou para trás a Portuguesa, a Ponte Preta e o Santos e chegou a final.

Agora o que mais chama atenção é o Grupo I…

Rivaldo, Válber, Leto e o carrossel caipira no Mogi-Mirim do treinador Vadão, que livrava o país do trauma de utilizar o 3-5-2, após o desastre da tentativa de jogar assim na Copa de 90. Edilson, das embaixadinhas, o talentoso Edu Lima em grande fase e o jovem Luizão, ainda reserva, no Guarani. O Corinthians com boa parte da emblemática equipe campeã brasileira de 1990, o goleiro Ronaldo, Giba, Marcelo, Wilson Mano, Ezequiel, Neto, Tupãzinho, Fabinho e o futuro tetra campeão Paulo Sérgio ainda estavam lá, da seleção de 94 o alvinegro contava também com Viola. Junte a esses 3 times o Palmeiras com seu primeiro ano de parceria com a Parmalat. Em campo, com a nova camisa listrada do alviverde, estavam Mazinho e Zinho, que seriam titulares do tetra campeonato da seleção em 94, mais César Sampaio, o craque Evair e o futuro treinador, mas ainda jogando, Cuca.

Mogi-Mirim de 1992. Esquema 3-5-2 com o jovem Rivaldo no time.

Mogi-Mirim de 1992. Esquema 3-5-2 com o jovem Rivaldo no time.

Se fizermos uma seleção apenas com os 4 clubes descritos acima teríamos uma equipe mais forte que atual. Mas isso é papo pra outra hora…

Não vou descrever jogo por jogo daquela fase final. Mas alguns foram emblemáticos. Destaco 2 partidas. Palmeiras e Corinthians logo na primeira rodada com uma das maiores chuvas da história do clássico. Evair deu a vitória aos palmeirenses com um golaço de falta no final do jogo. E o outro é Guarani 5 a 2 pra cima do Palmeiras Parmalat, com direito a pênalti perdido pela equipe de Campinas. No final o Palmeiras garantiu a vaga para a decisão. Classificado na última rodada, mesmo perdendo para o Corinthians.

Na final o São Paulo não deixou chance para o Palmeiras, que precisou esperar mais um ano pra sair do jejum de títulos. Em duas semanas o tricolor foi campeão mundial e paulista (naquele ano o estadual foi disputado no segundo semestre). E vale destacar que o São Paulo foi campeão mundial jogando de igual pra igual com os europeus do Barcelona e não com um grande goleiro e mais 10 homens com espadas e escudos plantados na frente da área para não perder de muito e tentar heroicamente um contra-ataque certeiro. Quem se lembra das finais dos mundiais de 2006 e 2010 vai saber do que estou falando.

Para entender um pouco melhor a forma criativa de jogar do Mogi-Mirim daquela temporada indico o documentário abaixo “Carrossel caipira: o fenômeno tático do interior”.

Aqui o gol do Evair contra o Corinthians, narração incrível de José Silvério (que no dia escutei ao lado do meu vô no rádio dele e não ficamos nada felizes nessa hora…)

E por último a goleada do Guarani pra cima do Palmeiras.

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Eu lembro desse jogo: Nacional (URU) x PSV Eindhoven (1988)

Lance da partida entre Nacional e PSV  na final do Interclubes de 1988.

Lance da partida entre Nacional e PSV na final do Interclubes de 1988.

Agora no Pelota de Trapo teremos a sessão “Eu lembro desse jogo!”.

Sempre um grande jogo, ou uma partida importante (nem sempre são a mesma coisa), que eu ou os convidados do Pelota, temos na memória.

E, já indo direto ao assunto, começo com a primeira final do Intercontinental, ou do antigo Mundial, ou do Interclubes ou, da pior forma de dizer, Toyota Cup, que eu assisti. (não é a toa que tem tanta discussão do que vale ou não vale em relação a mundiais)

Fato é que naquele tempo, em 1988, os clubes da África, Oceania, Ásia e América Central e do Norte não podiam participar. Só América do Sul e Europa. Vale dizer que mesmo depois da ampliação do Mundial de Clubes, apenas duas equipes não europeias e nem sul-americanas chegaram à final e nenhuma conquistou o título. Mas isso é outra discussão.

Estava lá eu com 6 anos (acordado até tarde!), e meu pai já foi logo avisando: “hoje tem final do Mundial, e o jogo é no Japão!”. Eu que ainda estava encantado com a incrível conquista do Corinthians no Campeonato Paulista daquele ano contra o forte Guarani de Neto, João Paulo e Evair láaaa em Campinas, pensei na hora, “nossa, um campeonato mundial, isso deve ser muito importante. E ainda por cima láaaaaaa no Japão!”. Se ganhar o Paulistão já tinha sido uma guerra, imagina pra chegar no Mundial? Era isso que eu pensava no dia. (Anos depois vi o Corinthians ganhar o Mundial no Japão e, com todo respeito ao fortíssimo time do Chelsea, foi, no mínimo, tão difícil quanto aquele Guarani de 88…)

Mas vamos ao jogo.

Nacional de Montevidéu, do grande capitão Hugo de León, contra o poderoso PSV Eindhoven de Romário e Koeman. O campeão da Libertadores contra o campeão da Copa dos Campeões, sim na época só se chamava assim a agora, Champions League.

Nacional de Montevidéu pronto para enfrentar o PSV Eindhoven.

Nacional de Montevidéu pronto para enfrentar o PSV Eindhoven.

Um jogo só, no Japão. Quem ganhasse era campeão. E logo aos 7 minutos de jogo, Nacional 1 x 0. Ostolaza marcou de cabeça. O grande favorito era o PSV. Além de Koeman e Romário, a equipe treinada pelo ainda jovem, Guus Hiddink, tinha o grande goleiro Van Breukelen e o craque Lerby, que participou da boa seleção da Dinamarca de 86, apelidada na época de “Dinamáquina”.

O time uruguaio teve pelo menos duas chances claras de marcar ainda no primeiro tempo, aproveitando bons contra-ataques, o goleiro holandês evitou que o Nacional ampliasse com duas grandes saídas do gol.

Mas no segundo tempo, Romário, com apenas 22 anos, empata o jogo aos 30 minutos. O PSV estava vivo e, com o empate, o jogo ia para prorrogação. Mais meia hora de futebol.

Logo no começo da prorrogação o atacante Castro, do Nacional, perde um gol na frente do goleiro. A prorrogação foi muito mais nervosa e disputada do que exatamente uma partida cheia de grandes lances. Mas os últimos minutos foram elétricos. Faltando 5 para terminar, o árbitro marcou um pênalti para os holandeses. Pênalti estranho. Koeman bateu e fez.

Dai pra frente, só pressão uruguaia. Faltando um minuto para terminar, escanteio para o Nacional. Escanteio estranho. Durante sua trajetória no ar a bola encontra a cabeça de Ostolaza. E ele faz mais um. A bola quase não entra, mas ultrapassa por centímetros a linha. É gol.

Jogo empatado, vamos para os pênaltis.

E aquela foi uma das disputas de pênaltis mais emocionantes que eu já vi. Posso me lembrar de muitas outras penalidades emocionantes também, mas poucas vezes vi tantas grandes defesas na sequência.

O craque holandês Koeman fez o primeiro, Lemos empatou para o Nacional. E ai começam as grande defesas, o goleiro uruguaio Jorge Seré espalma a cobrança de Kieft. Na sequência Carreño bate mal e desperdiça a chance. Gillhaus converte e Morán perde mais um para os sul-americanos. Ai vem Romário e bate com categoria, gol com direito a provocação pra cima do goleirão. Castro marca para os uruguaios.

Mas a taça parecia ter destino, Lerby, o craque dinamarquês, só precisava fazer para dar a taça para o PSV. Bola no travessão. O Nacional ainda tinha chances. O capitão De León acerta e os pênaltis continuam, 3 x 3.

Na sequência dois gols para cada lado. Após 7 cobranças, Nacional 5, PSV também 5.

E ai o belga Gerets perde seu pênalti, mais uma defesa do goleiro uruguaio. Agora era só o Nacional fazer e fim de jogo. Mas lá estava o travessão de novo, era inacreditável. Saldanha desperdiça a chance. A batalha seguia em frente…

Koot faz para o PSV e Ostolaza empata novamente.

Tínhamos 6 x 6 no placar.

Mas o goleiro uruguaio estava em um dia inacreditável e voa para defender a cobrança do holandês Van Aerle. Era a décima cobrança. O uruguaio Gómez bateu bem e marcou. Nacional campeão do mundo de 1988.

Abaixo um com todos os pênaltis. A narração é da TV uruguaia, é de arrepiar…

(Prestem atenção no Romário, jogando com a 9, provocando o goleiro depois que faz o gol)

 

A construção de uma equipe campeã (Sobre continuidade e planejamento)

helmut schön

O treinador alemão Helmut Schön

1974 – Vencendo em casa

Em 1964, Helmut Schön, ex-jogador alemão, assume a seleção de seu país. Sucedia Sepp Herberger, que em sua segunda passagem pelo selecionado alemão treinou a equipe de 1950 até 1964. Detalhe: Schön era assessor de Herberger. E aqui aparece uma palavra, das duas palavras, que estão ali no título: continuidade.

A Copa do Mundo da Inglaterra é um importante momento para o futebol alemão. É o primeiro Mundial depois da profissionalização do esporte no país, que ocorreu em 1963. Mas a importância vai muito além disso, é o início da construção da equipe que venceria a Copa de 1974.

Vamos avançar 8 anos…

Na equipe que entra em campo no dia 7 de julho de 1974, em Munique, para enfrentar a Holanda na decisão da Copa do Mundo temos 4 jogadores entre os titulares e mais um reserva, além do próprio treinador, que faziam parte do plantel alemão de duas Copas antes.

Voltando a 1966… a Alemanha perdeu a final por 4 x 2 para os anfitriões ingleses. O treinador e o projeto, foram mantidos.

Se vão mais 4 anos, é a vez da Copa do Mundo no México em 1970. E lá estão 6 jogadores dos que fariam parte da equipe titular da final de 1974 e mais um reserva. E claro, o comandante Helmut Schön. A seleção germânica faz boa campanha, com direito a vingança em cima dos ingleses nas quartas de final. Mas a seleção italiana (que perderia para o Brasil na final) elimina os alemães que sucumbiram ao calor mexicano em uma exaustiva prorrogação, 4 x 3 para a azurra.

Chega então a Copa do Mundo de 1974. A Alemanha joga em casa. Mas no caminho dos futuros campeões aparece uma seleção laranja, apontada por todos como a favorita, e mais do que isso, como a representante de uma verdadeira revolução na forma de jogar futebol.

Gerd Müller e Breitner, craques da seleção alemã em 1974

Gerd Müller e Breitner, craques da seleção alemã em 1974

Mas estão lá Sepp Maier, Berti Vogts, Franz Beckembauer, Overath, Grabowski e Gerd Müller, comandados pelo incansável Helmut Schön. Remanescentes do México em 1970 e alguns ainda da Inglaterra em 66. Apoiados em uma estratégia que buscava anular a fortíssima seleção holandesa, mas ao mesmo tempo, buscando corrigir erros cometidos nos mundiais anteriores (ver o livro Tática Mente do PVC na página 62 para entender melhor essa questão) a equipe vence por 2 x 1 de virada e é bi-campeã mundial. Vitória da continuidade e da persistência.

Pausa rápida em 1990…

Antes de atravessar o oceano para conquistar o mundial no Brasil, a seleção alemã, mais uma vez dá continuidade a um projeto e mantém seu treinador, não da forma como conquistou os mundiais de 1974 e 2014, mas vale dizer que, além do técnico de 1986, Franz Beckembauer, 6 jogadores que venceram a Argentina na final da Copa de 90, estavam no elenco do mundial de 1986.

Rudi Völler, que jogou as Copas de 1986 e 1990 pela Alemanha é observado pelo holandês Frank Rijkaard em partida das oitavas de final da Copa de 90

Rudi Völler, que jogou as Copas de 1986 e 1990 pela Alemanha é observado pelo holandês Frank Rijkaard em partida das oitavas de final da Copa de 90

2014 – A conquista começou perdendo em casa

Se no processo do título alemão de 1974 a consolidação do projeto se deu na Alemanha, dessa vez as coisas começaram por lá.

E antes de falarmos da Copa de 2014, vamos voltar 8 anos…
O ano de 2006 marca a primeira Copa do Mundo do século XXI em território europeu. O Mundial da Alemanha traz os anfitriões correndo por fora, com uma equipe que mesclava experiência com juventude. E o plano era claro, nas palavras do próprio treinador Jürgen Klinsmann, “estamos montando uma equipe para as próximas duas copas”. Sim, o projeto era 2010 e 2014. A Alemanha caiu nas semifinais da Copa de 2006. Perdeu para a Itália. Dos campeões de 2014, 6 atletas já faziam parte do elenco daquele Mundial, e se o treinador Klinsmann não quis continuar no cargo, o seu assistente, Joachim Löw, assumiu a seleção e comandou a equipe em 2010 e 2014, e segue no posto.

A África do Sul sediou o mundial de 2010, e como se diz no futebol, a Alemanha “chegou voando baixo”, jogando muita bola. Com direito a 4 na Argentina e 4 na Inglaterra. Mas na semifinal a máquina parou em algo que voou mais que a seleção alemã, e foi o catalão, Puyol, que criou asas e foi ao terceiro andar cabecear a bola que mandou os germânicos para casa.

Lance do massacre alemão em cima da Argentina na Copa de 2010

Lance do massacre alemão em cima da Argentina na Copa de 2010

Dos titulares de Löw na final de 2014, 8 jogadores já estavam no elenco da Copa de 2010. Se isso não é planejamento (olha a outra palavra do título ai) de uma seleção campeã, não sei mais o que é.

Traçar um plano e executar. Isso não excluiu jovens talentos que apareceram no meio do percurso, como o autor do gol da final, Mario Götze, que fez sua estreia em Copas.

Sobre a Copa do Mundo no Brasil todo mundo lembra, a goleada contra a seleção brasileira foi inclusive um ponto fora da curva, a Alemanha venceu a Argélia na prorrogação, bateu a França pelo placar mínimo e superou os argentinos apenas no final do tempo extra. Mas foi uma seleção com padrão de jogo. Vencendo de 7 ou de 1, todos sabiam o que esperar da equipe.

Joachim Löw, treinador campeão do mundo em 2014 pela seleção alemã

Joachim Löw, treinador campeão do mundo em 2014 pela seleção alemã

Vitória do planejamento, vitória da manutenção de projetos, independente de eventuais derrotas no caminho. Afinal, ninguém decide saltar de um avião por conta de uma turbulência.

E não escrevo esse texto em um tom “vejam, meus amigos, que incríveis são os alemães”, mas sim para demonstrar que nosso país, com talento dentro do campo de sobra, falha na hora de traçar os objetivos e criar a estrutura para executá-los.

E enquanto isso, na Alemanha, certamente um plano para novas conquistas é traçado.

A maior seleção do mundo – Por Edilson Cavalcante

rivaldo

Nesta quarta-feira, 8 de julho, completa-se um ano desde o jogo em que o Brasil enfrentou a Alemanha, pela semifinal da Copa do Mundo, e saiu derrotado por 7 a 1. Há quem diga que poderia ter sido mais e que os alemães teriam diminuído o ritmo em respeito.

Provavelmente no dia de hoje muitos estarão a analisar o futebol brasileiro, seus erros, o que precisamos fazer para “voltar a estar entre as melhores seleções do mundo”. Diversos serão os textos que utilizarão termos como “humilhação”, “vexame” e sinônimos para tratarem do confronto.

É verdade que tivemos uma das maiores derrotas da nossa história, que pode ser inclusive maior do que a fatídica final contra o Uruguai em 1950. Porém, aqui afirmo, somos o maior e melhor futebol do mundo.
Uns podem dizer que os argentinos são mais apaixonados, outros podem falar que os europeus são mais organizados. Eu vos digo: somos maiores.

Podemos não ter a organização das ligas europeias, mas temos um campo de futebol em cada canto do país. Não falo de estádios nem de clubes, mas sim dos terrenos baldios, das ruas que recebem pares de chinelo como traves, das areias da praia, do rio na época da seca… Por isso, falar que temos 200 milhões de técnicos é muito pouco. Temos 200 milhões de jogadores.

Reservamos o dia do nosso lazer para jogar uma pelada, temos o orgulho de levar nossos filhos ao estádio, desfilamos com as cores dos nossos times, apostamos, brigamos, gritamos, bebemos, bebemos novamente, comemoramos. Vivemos nossa paixão não com a dramaticidade de um tango, mas com a alegria e a altivez de um samba.

Temos um campeonato nacional com uma capacidade e força em que mais de uma dezena de times diferentes já se sagraram campeões. Aqui não é River e Boca, não é Barça e Real, nós somos Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco, Botafogo, Grêmio, Inter, Atlético, Cruzeiro, Icasa e outros que representam a paixão nacional.

Não é por acaso que vencemos cinco Copas do Mundo, que somos a única seleção a participar de todas as copas, que demos um chocolate na Itália na final de 70, que vencemos a Alemanha na final de 2002 quando o mundo colocava os alemães como favoritos, que em 1958 colocamos um moleque de 17 anos para jogar uma copa e este se tornou o maior da história do futebol, que em 1994 em pleno 4 de julho calamos a nação mais poderosa do mundo em seu solo no dia de sua maior data.

Nossa nação está para o futebol como a sua razão de existir. Somos a maior vitória do futebol alemão, porém também somos a maior vitória do futebol uruguaio, o sonho de consumo do futebol argentino, a referência do futebol mundial.

Já passamos 24 anos sem ganhar uma copa, perdemos uma final em pleno Maracanã com mais de 200 mil de torcedores, e hoje se completa um ano de uma histórica derrota. Mesmo assim, o mundo tem medo de enfrentar o Brasil. Inclusive quando estampam nos jornais que não temem a canarinho, essa é uma clara demonstração que estão tremendo, pois sabem que, assim como em 1993, quando ganhamos do Uruguai e nos classificamos para a copa, e como em 2013 quando vencemos a até então imbatível Espanha, o futebol reserva de tempos em tempos glorias à sua maior seleção.

Por isso me perdoem os incrédulos, os vira-latas que cultuam o externo. Aqui nestas linhas afirmo: SOMOS OS MAIORES.

Em defesa do futebol brasileiro

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Acontece nesta terça-feira, (7), em São Paulo, a primeira reunião do núcleo do Barão de Itararé, “Futebol, mídia e democracia”.

De acordo com a página oficial do Núcleo no Facebook, os principais objetivos, em princípio, são:

“um coletivo de torcedores, jornalistas, ex-jogadores e admiradores do futebol em geral que busca debater e pensar soluções para questões referentes ao momento atual do futebol brasileiro. Elitização do público nos estádios, escândalos de corrupção nas entidades que comandam o esporte e a influência da grande mídia nos horários e até nas tabelas dos campeonatos, todos os esses fatores abalam a credibilidade do futebol que é um importante elemento na construção da identidade nacional”.

Em tempos de investigações em relação às supostas ilegalidades na gestão da CBF; preços de ingressos que tornam os jogos inacessíveis para a maioria dos torcedores; horários de jogos que não levam em consideração a mobilidade, nem a segurança, mas que beneficiam emissoras de TV; o surgimento do núcleo busca justamente abordar os pontos relacionados acima e debater como combater as forças que se apoderaram do futebol brasileiro e que estão destruindo o esporte em troca de – em quase todos os casos – lucros exorbitantes e nada agregam ao desenvolvimento do esporte e acessibilidade para o torcedor comum.

A reunião começa às 18 horas, na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Rua Rego Freitas, 454, 8° andar, sala 83, centro de São Paulo.

O Núcleo convoca os curiosos, interessados em futebol e indignados com o estado atual do esporte: “Junte-se a nós na luta em defesa do verdadeiro futebol brasileiro”.

Sobre uma Copa América disputada no Brasil

Em semana de decisão da Copa América, Chile, anfitrião, e Argentina, decidem no próximo sábado o campeão da edição de 2015, vamos relembrar a última vez que o torneio foi realizado no Brasil.

O mês era julho. O ano era 1989.

Com todas as seleções em clima de preparação para as eliminatórias da Copa do Mundo, que seriam realizadas no segundo semestre daquele ano, exceto a Argentina que por ser campeã de 1986 já estava garantida no torneio. A forma de disputa era a seguinte, dois grupos com 5 seleções cada. Sem convidados especiais nem da América Central e do Norte, nem da Ásia, nem de Marte, nem de lugar nenhum. A Copa América era disputada apenas por seleções sul-americanas. Se classificavam duas seleções de cada grupo, as quatro finalistas disputavam um quadrangular e quem tivesse mais pontos era campeão. Na minha opinião, um formato muito interessante e que tornava a primeira fase muito mais emocionante do que hoje em dia.

Para entender um pouco sobre o clima que antecedia o torneio, recorri ao guia da edição número 993, de 30 de Junho de 1989, da revista Placar, que trazia um breve comentário sobre cada seleção.

O especial sobre a competição que começaria um dia depois da revista chegar às bancas era antecedido nas páginas do semanário por uma reportagem intitulada “Prestígio despedaçado”, que comentava a recente turnê da seleção brasileira pela Europa. E foi um desastre (ainda mais no mundo pré 7 a 1). O Brasil foi goleado pela Dinamarca por 4 x 0, perdeu da Suécia por 2 x 1 e da Suiça por 1 x 0 e empatou com o Milan em 0 a 0.

E assim, vinha então o especial da quase ignorada Copa América do Brasil de 1989. Primeiro eram apresentadas as seleções do Grupo A: Brasil, que para os analistas da Placar, visava apenas preparar a equipe para as eliminatórias, mas apontavam que resultados catastróficos poderiam colocar em risco o emprego do treinador Sebastião Lazaroni, a Colômbia, que estava em ascensão com um clube colombiano tendo conquistado a Libertadores da América daquele ano, o Peru, treinado pelo brasileiro Pepe e que confiava no entrosamento do seu ataque, o Paraguai, que não contaria com suas estrelas Romerito do Barcelona, contundido, e o goleiro Chilavert, que não foi liberado pelo Zaragoza da Espanha e a mais fraca do grupo, Venezuela, que entrava para não perder seus jogos de goleada.

Para o Grupo B, a revista apontava a Argentina como a grande favorita, e destacava o meio de campo da seleção como seu ponto forte (e não era para menos), Basualdo, Batista, Burruchaga e Maradona, já tinham conquistado a Copa do Mundo em 1986 e chegavam bem para tentar levantar a taça no Brasil. Sobre o então atual bi-campeão do torneio, o Uruguai, as ausências por contusões e expulsões em competições anteriores (essa moda uruguaia não começou com a mordida de Suarez) preocupavam o treinador da celeste, o grande craque Francescoli, por exemplo, não jogaria as duas primeiras partidas. Já a seleção chilena tinha como ponto forte sua defesa, o goleiro Rojas, que atuava no São Paulo (e ainda não tinha cortado seu próprio supercílio em campo) era destacado pela revista. A Bolívia e o Equador, do zagueiro Quiñonez, que no mesmo ano seria campeão brasileiro pelo Vasco, completavam o grupo.

A edição da Placar trazia encartada a tabela da competição. Olha ai como era:

Tabela da Copa América de 1989.

Tabela da Copa América de 1989.

O primeiro jogo da competição foi entre Paraguai e Peru, vitória paraguaia por 5 x 2, no mesmo dia entraram em campo Brasil x Venezuela na cidade de Salvador, vitória brasileira, 3 x 1. Além da capital baiana, Goiânia, Recife e Rio de Janeiro também sediaram a competição.

Mas as coisas se complicaram para a seleção brasileira. E vieram dois empates na sequência. A equipe canarinho ficou no 0 x 0 contra Peru (melhores momentos no vídeo abaixo, com direito ao Renato Gaúcho tomando um ovo na cabeça arremessado pela torcida e um dos piores gramados da história da Copa América certamente) e Colômbia. Na última rodada a seleção brasileira chegou podendo ser eliminada já na primeira fase. Brasil e Colômbia tinham o mesmo número de pontos, mas os brasileiros levavam vantagem no saldo de gols. Com o empate da Colômbia frente ao Peru, e a vitória do Brasil sobre o Paraguai por 2 x 0 em Recife, na primeira partida brasileira fora de Salvador na competição, os donos de casa estavam classificados. Bebeto marcou os dois gols.

Brasil 0 x  0 Peru e ovo no Renato Gaúcho:

Fase final

Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai chegaram a fase decisiva. Agora seriam todos contra todos e quem acabasse com mais pontos era o campeão. As seis partidas dessa etapa foram disputadas no Maracanã. E o melhor para o torcedor que assistiu é que eram rodadas duplas. Ou seja, no dia 12 de julho, por exemplo, entraram em campo Uruguai x Paraguai e logo na sequência Brasil x Argentina. Nesse caso brasileiros e uruguaios levaram a melhor. O Brasil bateu os argentinos por 2 x 0 (com direito a esse golaço ai do vídeo marcado pelo Bebeto e também teve, no outro vídeo, essa caneta do Romário em cima do Maradona com menos de um minuto de jogo) e os uruguaios golearam o Paraguai por 3 x 0.

Golaço do Bebeto:

Romário dando uma caneta no Maradona:

Na segunda rodada, dois dias depois, os uruguaios venceram os argentinos por 2 x 0 e o Brasil venceu o Paraguai por 3 x 0. Dessa forma, Brasil e Uruguai chegaram a última rodada, dia 16 de julho, empatados em tudo, pontos, vitórias e saldo de gols. Pesquisei muito mas não encontrei o que aconteceria se aquela partida terminasse empatada. Se teríamos um novo jogo ou se tinham chegado a um acordo para bater pênaltis, mesmo sem ser uma partida final no sistema mata-mata. Mas não precisou de nada disso. Romário marcou o único gol da partida (esse aqui embaixo) e deu o título da Copa América para o Brasil após 40 anos de jejum. Mais de 130 mil pessoas acompanharam aquela partida no Maracanã. O Bebeto terminou artilheiro com 6 gols.

O gol do título:

Essa foi o torneio continental de 1989. Se começou meio apagado, terminou em grande estilo, e ainda apresentou alguns jogadores que estariam no título mundial de 1994, principalmente a dupla de ataque, Romário e Bebeto. Em 2019 a Copa América passa por aqui outra vez… e espero que não sejamos eliminados pelo Paraguai novamente.

obs.: Seleção Brasileira que disputou a final contra o Uruguai (no esquema 3-5-2): Taffarel; Mauro Galvão, Aldair e Ricardo Gomes; Mazinho, Dunga, Silas (Alemão), Valdo (Josimar) e Branco; Bebeto e Romário. Técnico: Sebastião Lazaroni.