Eu lembro desse jogo: Nacional (URU) x PSV Eindhoven (1988)

Lance da partida entre Nacional e PSV  na final do Interclubes de 1988.

Lance da partida entre Nacional e PSV na final do Interclubes de 1988.

Agora no Pelota de Trapo teremos a sessão “Eu lembro desse jogo!”.

Sempre um grande jogo, ou uma partida importante (nem sempre são a mesma coisa), que eu ou os convidados do Pelota, temos na memória.

E, já indo direto ao assunto, começo com a primeira final do Intercontinental, ou do antigo Mundial, ou do Interclubes ou, da pior forma de dizer, Toyota Cup, que eu assisti. (não é a toa que tem tanta discussão do que vale ou não vale em relação a mundiais)

Fato é que naquele tempo, em 1988, os clubes da África, Oceania, Ásia e América Central e do Norte não podiam participar. Só América do Sul e Europa. Vale dizer que mesmo depois da ampliação do Mundial de Clubes, apenas duas equipes não europeias e nem sul-americanas chegaram à final e nenhuma conquistou o título. Mas isso é outra discussão.

Estava lá eu com 6 anos (acordado até tarde!), e meu pai já foi logo avisando: “hoje tem final do Mundial, e o jogo é no Japão!”. Eu que ainda estava encantado com a incrível conquista do Corinthians no Campeonato Paulista daquele ano contra o forte Guarani de Neto, João Paulo e Evair láaaa em Campinas, pensei na hora, “nossa, um campeonato mundial, isso deve ser muito importante. E ainda por cima láaaaaaa no Japão!”. Se ganhar o Paulistão já tinha sido uma guerra, imagina pra chegar no Mundial? Era isso que eu pensava no dia. (Anos depois vi o Corinthians ganhar o Mundial no Japão e, com todo respeito ao fortíssimo time do Chelsea, foi, no mínimo, tão difícil quanto aquele Guarani de 88…)

Mas vamos ao jogo.

Nacional de Montevidéu, do grande capitão Hugo de León, contra o poderoso PSV Eindhoven de Romário e Koeman. O campeão da Libertadores contra o campeão da Copa dos Campeões, sim na época só se chamava assim a agora, Champions League.

Nacional de Montevidéu pronto para enfrentar o PSV Eindhoven.

Nacional de Montevidéu pronto para enfrentar o PSV Eindhoven.

Um jogo só, no Japão. Quem ganhasse era campeão. E logo aos 7 minutos de jogo, Nacional 1 x 0. Ostolaza marcou de cabeça. O grande favorito era o PSV. Além de Koeman e Romário, a equipe treinada pelo ainda jovem, Guus Hiddink, tinha o grande goleiro Van Breukelen e o craque Lerby, que participou da boa seleção da Dinamarca de 86, apelidada na época de “Dinamáquina”.

O time uruguaio teve pelo menos duas chances claras de marcar ainda no primeiro tempo, aproveitando bons contra-ataques, o goleiro holandês evitou que o Nacional ampliasse com duas grandes saídas do gol.

Mas no segundo tempo, Romário, com apenas 22 anos, empata o jogo aos 30 minutos. O PSV estava vivo e, com o empate, o jogo ia para prorrogação. Mais meia hora de futebol.

Logo no começo da prorrogação o atacante Castro, do Nacional, perde um gol na frente do goleiro. A prorrogação foi muito mais nervosa e disputada do que exatamente uma partida cheia de grandes lances. Mas os últimos minutos foram elétricos. Faltando 5 para terminar, o árbitro marcou um pênalti para os holandeses. Pênalti estranho. Koeman bateu e fez.

Dai pra frente, só pressão uruguaia. Faltando um minuto para terminar, escanteio para o Nacional. Escanteio estranho. Durante sua trajetória no ar a bola encontra a cabeça de Ostolaza. E ele faz mais um. A bola quase não entra, mas ultrapassa por centímetros a linha. É gol.

Jogo empatado, vamos para os pênaltis.

E aquela foi uma das disputas de pênaltis mais emocionantes que eu já vi. Posso me lembrar de muitas outras penalidades emocionantes também, mas poucas vezes vi tantas grandes defesas na sequência.

O craque holandês Koeman fez o primeiro, Lemos empatou para o Nacional. E ai começam as grande defesas, o goleiro uruguaio Jorge Seré espalma a cobrança de Kieft. Na sequência Carreño bate mal e desperdiça a chance. Gillhaus converte e Morán perde mais um para os sul-americanos. Ai vem Romário e bate com categoria, gol com direito a provocação pra cima do goleirão. Castro marca para os uruguaios.

Mas a taça parecia ter destino, Lerby, o craque dinamarquês, só precisava fazer para dar a taça para o PSV. Bola no travessão. O Nacional ainda tinha chances. O capitão De León acerta e os pênaltis continuam, 3 x 3.

Na sequência dois gols para cada lado. Após 7 cobranças, Nacional 5, PSV também 5.

E ai o belga Gerets perde seu pênalti, mais uma defesa do goleiro uruguaio. Agora era só o Nacional fazer e fim de jogo. Mas lá estava o travessão de novo, era inacreditável. Saldanha desperdiça a chance. A batalha seguia em frente…

Koot faz para o PSV e Ostolaza empata novamente.

Tínhamos 6 x 6 no placar.

Mas o goleiro uruguaio estava em um dia inacreditável e voa para defender a cobrança do holandês Van Aerle. Era a décima cobrança. O uruguaio Gómez bateu bem e marcou. Nacional campeão do mundo de 1988.

Abaixo um com todos os pênaltis. A narração é da TV uruguaia, é de arrepiar…

(Prestem atenção no Romário, jogando com a 9, provocando o goleiro depois que faz o gol)

 

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