Eu lembro desse jogo: Corinthians 2 x 1 Cruzeiro – Campeonato Brasileiro de 1993

O Corinthians ainda não tinha perdido no campeonato. Eram 12 jogos, 9 vitórias e 3 empates. O torneio em questão é o Campeonato Brasileiro de 1993. Naquele ano o Brasileirão começou apenas em setembro. Dia 7.

Rivaldo e Viola correm durante treino do Corinthians em 1993.

Rivaldo e Viola correm durante treino do Corinthians em 1993.

O Campeonato Paulista daquele ano ainda era uma triste lembrança para o corintiano. O Palmeiras tinha saído da fila justamente contra o grande rival. Mas com a troca de treinador, Mário Sérgio assumiu, e a contratação dos principais jogadores do Mogi-Mirim, sensação do estadual e conhecido como Carrossel Caipira, a equipe jogava muito bem, e surgia como uma das grandes favoritas para a conquista do título.

Os jogadores que chegaram do Mogi eram, Válber, Admilson, Leto e…Rivaldo.

O Cruzeiro tinha chances de classificação, precisava vencer, e ainda contava com alguns jogadores dos títulos da Supercopa, em 91 e 92, incluindo o grande craque Marco Antônio Boiadeiro, e tinha no ataque, o jogador que mesmo sem o time conseguir se classificar, acabou como artilheiro da competição, Ronaldo, que ainda era chamado de Ronaldinho.

Aquela noite de quarta-feira do mês de Novembro, no Pacaembu, marcou o segundo confronto entre Rivaldo e Ronaldo. No primeiro turno, no Mineirão, o Corinthians venceu por 2 a 0. E o volante estreante, Zé Elias, foi o melhor em campo.

O Pacaembu lotado assistiu a um jogo bom, mas de muita marcação, jogo pegado. Ronaldo, goleiro do Corinthians, era o menos vazado do Brasileirão, e Ronaldo, do Cruzeiro, o artilheiro. Mas foi o corintiano Válber, que aos 20 minutos do primeiro tempo, marcou o primeiro de cabeça.

Edenilson, aos 29 do segundo tempo, deixou tudo igual para os mineiros. Corinthians 1, Cruzeiro também 1.

Mas após um bom lançamento, Rivaldo pareceu na cara do gol, aos 45 do segundo tempo, para marcar e definir a vitória corintiana. Após o gol, alguns jogadores do Cruzeiro chegaram a agredir a bandeirinha da partida, reclamando que o gol estava impedido. Mas não estava.

Esse foi um dos jogos mais emocionantes que vi no estádio. Com direito a Rivaldo e Ronaldo. E mais Válber, Boiadeiro, Ronaldo (o goleiro), Viola, Tupãzinho, o lateral Paulo Roberto e, o hoje treinador, Sérgio Guedes na meta cruzeirense. Jogão.

Assista aos gols da partida:

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Wendell Lira do Brasil e o gol mais bonito do ano

wendell goianesia

O clima era de entrega de Oscar, o tapete vermelho, astros e estrelas, fotógrafos se acotovelando pelo melhor click e fãs ávidos por uma assinatura de seus ídolos. Mas os premiados não seriam filmes, nem atores e nem atrizes. Seriam os artistas da bola. A cerimônia era a 25° Bola de Ouro da Fifa, realizada nessa segunda-feira (11) em Zurique, na Suíça.

Na premiação para melhor jogador de futebol do mundo, no masculino, nenhuma surpresa: o argentino Messi, do Barcelona, faturou mais uma vez o prêmio. Pela quinta vez que o argentino foi escolhido o melhor do planeta com a bola nos pés. No futebol feminino a norte-americana Carli Lloyd garantiu o título de maior craque.

Ainda sem novidades, os melhores treinadores foram, no futebol masculino, Luis Henrique, também do Barcelona e no feminino, Jill Ellis, da seleção norte-americana. Os melhores treinadores fizeram os maiores craques, ou ao contrário? Só com uma análise mais apurada conseguiríamos responder, fato é que o Barcelona no futebol masculino e a seleção Norte-Americana de futebol feminino foram os grandes premiados na noite.

Mas ainda tinha outro prêmio para ser entregue na fria noite suíça. Quem levaria o gol mais bonito do ano, o cobiçado e democrático (é o único em que a votação é aberta ao público) prêmio Puskas? Concorriam Messi, o melhor do mundo, Florenzi, da Roma e Wendell Lira, do, do… do Goianésia!

Wendell Lira durante a premiação da FIFA

Wendell Lira durante a premiação da FIFA

Wendell Lira, atacante brasileiro que começou a carreira com algum destaque na equipe do Goiás, e depois de quase ir para o Milan, sofreu com uma série de contusões e acabou rodando o país, além de ajudar sua mãe na lanchonete da família e quase ter abandonado a carreira. Atlético de Sorocaba, Fortaleza, Tombense e claro, o Goianésia, foram alguns dos clubes pelos quais Wendell passou de 2007 pra cá.

Foi numa partida do Campeonato Goiano de 2015, entre Goianésia e Atlético-GO, que Wendell fez o golaço (assista abaixo). Debaixo de muita chuva e com poucos torcedores nas arquibancadas para testemunhar o feito. Uma gol de placa.

Com uma população que cabe algumas vezes a Itália, a Espanha e até a Argentina, e com uma frequência descomunal nas redes sociais, não foi difícil de mobilizar muitos brasileiros para que votassem no nosso atleta, e fazer com que, ao menos o prêmio de gol mais bonito, viesse para nossa terra. Era nossa única chance, porque se Neymar ganha o troféu de melhor jogador, e ficou entre os três primeiros, o artefato repousaria em uma estante em algum lugar da Catalunha. Wendell Lira venceu, “Wendell Lira do Brasil”.

E para nós brasileiros que amamos futebol, que crescemos arriscando nossos chutes em toda espécie de bola (muitas vezes nem redonda como manda o figurino), não dispensamos nem jogo de primeira fase da Copa de S.P. de Juniores na TV e se estiver passando série B do estadual assistimos também, qual foi a surpresa de um gol como esse em uma partida do Campeonato Goiano? Nenhuma.

Nossos gramados são forrados de Wendell’s. Craques humildes, gente muito simples e batalhadora que apostou tudo em correr atrás da bola e até conseguiram se profissionalizar. Mas no caminho não toparam com um empresário e nem com uma marca de artigos esportivos que alçasse o jovem talento para algum clube desses que constam nos jogos de video-game (referência usada pelo próprio Wendell em seu discurso no evento da Fifa). Com isso levam sua carreira adiante aos trancos e barrancos, de clube em clube passam de sua adolescência até os 30 e poucos, ou até quando as pernas aguentarem, tentando bicicletas e voleios por nossos gramados, que muitas vezes nem muita grama tem na verdade.

O que me pergunto é, o que fazer com nossos milhares de Wendell’s? Como aproveitar melhor as centenas de jogadores que surgem todo ano de Norte a Sul do país? Com estaduais cada vez mais achatados e sufocados, 20 times da Série A, e mais alguns tentando sobreviver nas séries B, C e D, darão conta de traduzir a diversidade de cores e clubes do nosso futebol?

Só o futuro nos dirá. Certeza mesmo temos de duas coisas: o gol de Wendell Lira (que disputará o campeonato goiano de 2016 pelo Vila Nova) foi lindo e mereceu ganhar e que muitos outros golaços acontecerão já no fim desse mês, quando os gramados de todos país serão ocupados pelos campeonatos regionais, com ou sem prêmio da Fifa.

Assista ao gol de Wendell:

Quando existia a Supercopa da Libertadores…

Cruzeiro campeão da Supercopa de 1992.

Cruzeiro campeão da Supercopa de 1992.

Durante alguns anos a Conmenbol tentou encaixar uma competição no segundo semestre do ano, já que a Libertadores preenchia então, e ainda o faz, o primeiro semestre.

De 1988 para cá foram 4 tentativas. Supercopa da Libertadores, Copa Conmenbol, Copa Mercosul e, a atual, Copa Sul-Americana (a Copa Sul-Americana e a Copa Conmenbol são claras tentativas de serem a versão do continente da Copa da UEFA , hoje Liga Europa). Mas falemos do primeiro desses torneios… a Supercopa da Libertadores.

Na Supercopa apenas equipes que possuíam títulos da Libertadores tinham direito de participar. Em 1988, ano da primeira edição, eram 13 os campeões e o campeonato era por mata-mata, então algumas equipes “pularam” fases, um tanto quanto sem sentido, mas de qualquer forma, o torneio aconteceu. O Racing da Argentina foi o campeão. (Vale lembrar que em 1989 aconteceu a primeira Recopa, torneio que hoje é entre os campeões da Sul-Americana e da Libertadores, naquele tempo era entre o campeão da Supercopa e da Libertadores)

Dali em diante a competição aconteceu mais 9 vezes, existindo até 1997. O campeonato, que foi transmitido no início pela TV Bandeirantes, e com o passar das primeiras edições acabou conquistando o torcedor brasileiro, mesmo que naquele período apenas Santos, Cruzeiro, Grêmio e Flamengo tivessem conquistado a Libertadores (único caminho para o torneio).

Em 1992 o São Paulo se junta ao seleto grupo de equipes…

Das 10 edições da Supercopa, os brasileiros chegaram em 7 decisões, conquistando por 3 vezes o título. Nas 3 vezes com grandes times de futebol.

Em 1991, o Cruzeiro passou por Colo-Colo, Nacional de Montevidéu e Olímpia do Paraguai (nos pênaltis) e chegou à grande decisão contra o River Plate. A equipe perdeu na Argentina por 2 gols de diferença, mas goleou por 3 a 0 no Mineirão (com dois gols de Mário Tilico) para ficar com a taça.

Já em 1992, os mineiros, dirigidos por Jair Pereira, contaram com Boiadeiro e Renato Gaúcho em grande fase para chegar ao bicampeonato. Passaram por Atlético Nacional da Colômbia (com direito a um 8 a 0, assista no vídeo abaixo), pelo River Plate nos pênaltis, pelo paraguaio Olímpia novamente, e enfrentou na decisão o Racing, apesar de perder na partida final por 1 a 0, o Cruzeiro levantou a taça por ter vencido o primeiro jogo no Mineirão por 4 a 0. Com direito a dois gols do Renato Gaúcho. (assista aos gols da partida no vídeo abaixo).

Curzeiro 8 x 0 Atlético Nacional (Supercopa de 1992)

Cruzeiro 4 x 0 Racing (Supercopa de 1992)

 

O Brasil ainda foi campeão mais uma vez da Supercopa. Em 1993 o campeão mundial, São Paulo, com um supertime, venceu o forte Flamengo nos pênaltis. Foi uma decisão recheada de craques. Do lado tricolor Zetti, Cafu, Ronaldão, Leonardo (que seriam campeões do mundo pela seleção em 94), Válber, que hoje em dia teria lugar garantido na seleção, e mais Toninho Cerezo, Palhinha, Müller e no banco o futuro campeão pela seleção de 2002, Juninho Paulista. Pelo lado carioca, estavam lá o goleiro Gilmar, o meio-campista Marquinhos em boa fase e um quarteto de craques na frente, o jovem Marcelinho Carioca, o camisa dez Nélio, Renato Gaúcho e Casagrande voltando ao futebol brasileiro. Assista ao vídeo abaixo e veja como foi essa decisão…

O futebol brasileiro ainda disputou as 3 últimas finais da Supercopa em 95, 96 e 97, com Flamengo, Cruzeiro e São Paulo respectivamente, sendo derrotado nas três por equipes argentinas.