Plaza Colonia faz história no Uruguai

plaza campeão - foto de destaque

Fundado em 1917 e seguindo como clube amador até o ano 2000, o Plaza Colonia, que disputou a divisão principal pela primeira vez apenas em 2002, com Diego Aguirre como treinador, conquistou neste domingo (29) o título do torneio Clausura no Uruguai.

O Campeonato Uruguaio é dividido em duas partes. O Apertura e o Clausura. Para decidir o campeão, se enfrentam o campeão do Apertura contra o do Clausura. O vencedor desse confronto enfrenta o time que somou maior número de pontos no campeonato inteiro.

A conquista da equipe da cidade de Colonia do Sacramento, no sul do país, fez história no futebol uruguaio. O clube derrotou o tradicional Peñarol, no estádio do adversário, em Montevidéu, por 2 a 1 debaixo de chuva e ficou com a taça com uma rodada de antecipação.

O clube pratica uma política que vai no sentido contrário ao que vemos atualmente no futebol, em relação ao contrato de seus jogadores. Não aceita os famosos “empresários”, os atletas que negociam seus contratos diretamente, sem atravessadores. Dada a condição financeira do clube, alguns jogadores chegam a ter outros empregos para completar sua renda, e outros atletas vão treinar de bicicleta para economizar seus ganhos mensais.

Certamente, uma dessas lendas instantâneas do futebol. No começo do ano, para garantir o dinheiro para seguir com suas atividades o clube organizou uma “pollada”, que foi a preparação de 400 frangos para serem vendidos nas ruas pelos jogadores juvenis à população local.

Sobre o que faz a equipe ser tão unida, o treinador Eduardo Espinel afirmou ser por conta do “mate”. Os jogadores tem o costume de se encontrar para tomar mate, entre eles e também com torcedores e comissão técnica.

Com o título, que veio com um gol de pênalti já nos 15 minutos finais da partida, a equipe garantiu a vaga em um torneio internacional pela primeira vez em sua história. Disputará a Libertadores ou a Sul-Americana, dependendo de como terminar a decisão do campeonato uruguaio dessa temporada.

Villoldo comemora o gol que deu o título ao Plaza Colonia

Villoldo comemora o gol que deu o título ao Plaza Colonia

Chamado rapidamente de “Leicester” da América do Sul, o Plaza Colonia obteve uma conquista, dada as proporções das equipes e o grau de dificuldades que enfrentam, muito maior do que o, também importante, título da equipe inglesa.

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Audax de Itápolis ou Velho Oeste do futebol

diniz audax

Desde o começo do “oba oba” em torno do clube empresa (retomando expressão muito usada nos anos 90) Audax Osasco as comparações com outros clubes “pequenos” foram inevitáveis. Inter de Limeira de 86, Bragantino de 90, até com a seleção de Camarões da copa de 90 equipararam a empresa de compra e venda de jogadores instalada na Grande São Paulo.

Bastou terminar o Campeonato Paulista de 2016, com o vice-campeonato, e sim, um bom futebol, apresentado pelo Audax para que esse romantismo em relação à equipe do interior fosse por água abaixo. Normalmente, por não estar na série A, nem B e também fora da série C, o clube de Osasco jogaria a série D. E vai jogar, lá estará o Audax constando na tabela da série D. Mas e os seus principais atletas, que ainda não foram vendidos e seu treinador? Eles não vão para a série D.

Como todo projeto que visa unicamente o lucro, sem preocupação absolutamente nenhuma com a torcida da equipe em Osasco, os empresários que comandam o Audax alojarão todos os seus “valores” em uma vitrine melhor. Sendo assim, em um acordo anunciado essa semana, o treinador Fernando Diniz e seus atletas migram para Itápolis e passam a vestir as cores do Oeste. Clube do interior paulista que disputará a série B esse ano. Torneio que tem transmissão da Sportv e conta com a participação de grandes clubes, como, por exemplo, o atual campeão carioca, Vasco da Gama.

O treinador Fernando Diniz, em entrevista recente, diz que não se trata de uma “manobra” e coloca a culpa na organização do futebol nacional,“no calendário do jeito que ele é feito, o time quase campeão, que foi vice-campeão (paulista) e jogou bem o campeonato para você ter algum atrativo para marca ficar em evidência… disputar a Série D fica muito distante do que foi o Campeonato Paulista”.

Concordo que o futebol brasileiro não está representado em sua diversidade no atual formato de campeonato nacional, que tenta se assemelhar aos padrões europeus, quando na verdade vivemos em um país continental. Mas fica clara outra realidade, que não chega a surpreender quem acompanha os bastidores do futebol brasileiro, quando o treinador revelação fala em “marca ficar em evidência”. É disso que se trata então? Sai abrindo filiais do Audax ou do Red Bull pelo Brasil afora, e rapidamente revender os jogadores para lucrar.

Que qualquer clube que invista na formação de um atleta, espera de alguma forma recuperar o valor investido e com algum lucro, faz parte do jogo. Mas chegamos a um novo patamar com a “locação” do Oeste por parte do Audax, e isso está implícito na fala do próprio treinador que está de malas prontas de Osasco para Itápolis. Resta saber onde isso vai parar e não é surpresa que tanto os novos torcedores e torcedoras de Osasco, Itápolis e tantas outras cidades, prefiram os sonolentos jogos da Champions League na TV, que também fazem parte do mesmo sistema, mas ao menos seus clubes reúnem os melhores atletas do planeta, do que vestir as “camisetas de aluguel” de seus clubes locais.