A nova ordem do futebol

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A Copa América é a mais antiga competição entre seleções do mundo, iniciada com um torneio disputado entre Argentina, Brasil, Chile e Uruguai em 1916, celebrando o centenário da independência argentina. E para comemorar o centenário dessa tradicional competição, decidiram levá-la para fora da América do Sul pela primeira vez. O torneio “comemorativo” de 2016 será (está sendo) disputado no(s) Estados Unidos.

Não demorou para as criticas aparecerem. E os uruguaios pareceram os mais indignados.

O treinador do uruguaio, Óscar Tabárez, ainda antes do início da Copa América fez críticas a organização da competição, sobretudo as longas distâncias que os atletas precisam viajar dentro do território norte-americano, entre as partidas. O presidente da AUF (Asociación Uruguaya de Fútbol), Wilmar Valdez, afirma que foi um erro da parte da CONMEBOL (portanto da sua parte também) permitir que a Copa fosse nos Estados Unidos, e que este torneio está “armado para o México”.

A declaração do dirigente veio logo após a derrota de sua seleção para os mexicanos, após uma arbitragem no mínimo “polêmica” a favor dos mexicanos. E além da arbitragem, nem o hino da seleção uruguaia foi executado corretamente, acredite se quiser, mas os norte-americanos da organização do torneio tocaram o hino do Chile para o Uruguai.

A declaração pode ter sido feita no calor do momento, ou seja, logo após uma derrota na estreia. De qualquer forma deixa ainda mais claro o erro que é organizar um torneio desse modelo nos EUA, onde o futebol chama soccer, e passa longe de ser uma prioridade do público daquele país.

Errar o hino da seleção que foi campeã da primeira edição da Copa América é simbólico (assista aqui). E outros erros já aconteceram durante a competição. A bandeira boliviana foi apresentada no telão antes da partida contra o Panamá virada de cabeça para baixo, e a fornecedora de material esportivo da seleção colombiana distribuiu cartazes para divulgar a nova camisa da seleção com o nome do país escrito errado, Colômbia virou “Columbia”.

Para as marcas esportivas, que exercem um papel econômico central no atual formato do futebol mundial, é certamente interessante que a Eurocopa, o torneio continental europeu que ocorre desde 1960 uma vez a cada 4 anos, aconteça ao mesmo tempo da Copa América. Podem lançar os novos uniformes das seleções e planejar as ações de marketing de forma conjunta para os principais mercados futebolísticos.

Ao mesmo tempo, não podemos esquecer, que as recentes investigações dos EUA em relação aos negócios da FIFA, também sugerem um interesse maior daquele país no mercado do futebol mundial. Seria ingenuidade acreditar que os norte-americanos literalmente “entraram” na FIFA apenas por estarem preocupados em fazer justiça. Isso nos faz pensar que esse torneio pode ser um tubo de ensaio para uma possível competição mundial que os norte-americanos possam ter intenção de organizar em breve.

Em tempos de aprofundamento da intervenção norte-americana nos assuntos internos da política na América do Sul, não parece coincidência que o dinheiro gerado pelo futebol do continente volte a escorrer para os EUA. A ofensiva imperialista que tenta ressuscitar a derrotada ALCA, ataca também no esporte preferido dos sul-americanos, o futebol.

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