“Jogo 10 da Noite, Não” marca presença nas partidas do Brasileirão

imagem-facebook-timeline-ujs-10-da-noite

A campanha, organizada pelo coletivo Futebol, Mídia e Democracia, do Barão de Itararé, “Jogo 10 da noite NÃO” esteve presente em todos os jogos realizados no horário da “quase madrugada” imposto pela Rede Globo.

Belo Horizonte

Na capital mineira, integrantes do coletivo tiraram fotos, panfletaram e conversaram com os torcedores na porta do estádio do Mineirão. A partida foi entre Cruzeiro e Vasco e os torcedores, e torcedoras, demonstraram total apoio aderindo à campanha.

Torcedoras do Cruzeiro com cartazes da campanha "Jogo 10 da noite, NÃO"

Torcedoras do Cruzeiro com cartazes da campanha “Jogo 10 da noite, NÃO”

Para Leo Souza, integrante do coletivo e torcedor do Cruzeiro, as dificuldades para o torcedor assistir ao jogo às 10 da noite são muitas, “inclusive pelo estádio situar-se no setor norte da cidade, cercado pelo campus da Universidade Federal de Minas Gerais, não há acesso de metrô e as linhas de ônibus são deficitárias nessa região, o torcedor que se arrisca sair de casa para assistir o futebol do seu time em um horário desse através de transporte público, inevitavelmente chegará em casa por volta das 2:00 da manhã”.

“O Cruzeiro tem muitos torcedores do interior do estado, a maioria das cidades de torcedores que frequentam o Mineirão fica a no mínimo 130Km de Belo Horizonte, o que inviabiliza acompanhar o clube em todas as vezes que o jogo é disputado às 22H”, aponta Leo. Destaca ainda que este horário dificulta a ida ao estádio de pais e crianças por comprometer o horário escolar do dia seguinte. Para os trabalhadores o horário também é complicado, afinal, prejudica quem começa cedo no trabalho.

O Coletivo Futebol, Mídia e Democracia será lançado em Belo Horizonte em outubro.

Porto Alegre

A partida no Beira-Rio foi entre Internacional e Corinthians. E enquanto no campo o líder do campeonato perdia sua invencibilidade de 17 partidas, os torcedores gaúchos estendiam uma grande faixa com o logotipo da campanha.

Faixa aberta pela torcida do Inter durante partida contra o Corinthians. Jogo 10 da noite, não!

Faixa aberta pela torcida do Inter durante partida contra o Corinthians. Jogo 10 da noite, não!

O apoio à campanha nas arquibancadas do Beira-Rio veio por parte do movimento “o Povo do Clube” que tem como uma de suas principais pautas o alto preço dos ingressos que afastam grande parte dos torcedores dos estádios.

Segundo Latino, integrante do Clube do Povo, além dos ingressos caros o torcedor tem “nos horários dos jogos estipulados pela Globo, que detém o monopólio da transmissão, mais um grande empecilho”. Ele explica que em Porto Alegre, para uma grande parte do torcedor que trabalha no dia seguinte, o horário das 22h é “simplesmente inviável”, pela ausência de transporte público. “Se torna mais um fator de elitização dos estádios”, completa Latino.

Ele ainda ressalta que é preciso dar mais protagonismo para o torcedor brasileiro na busca de alternativas para que o futebol volte a ser do povo. “A campanha, organizada nacionalmente, pode ser um passo decisivo nesse sentido”, finaliza.

Santos

Na Vila “mais famosa do mundo”, o estádio do Santos, a Vila Belmiro, os torcedores declararam apoio à campanha dentro e fora do estádio.

Torcida do Santos demonstra seu apoio fora do estádio…

Torcida do Santos demonstra seu apoio fora do estádio…

Na noite de ontem o Santos recebeu, e goleou, o vice-líder Atlético Mineiro em seu estádio.

Rogério Demetrius, idealizador do movimento “Punk Santista”, manda seu recado: “esse horário é uma falta de respeito! Para o torcedor fica impossível assistir ao jogo e pegar uma condução ou mesmo no outro dia para ir trabalhar cedo, então acho que não é nem a questão de abraçar uma ideia (o fim do jogo as 22h), mas sim de uma necessidade para que o torcedor possa ir ao estádio”.

Torcida do Santos demonstra seu apoio dentro do estádio…

Torcida do Santos demonstra seu apoio dentro do estádio…

Anúncios

Torcida do Maccabi Tel Aviv: Imigrantes NÃO são bem-vindos

Se existem torcedores de clubes europeus, sobretudo na Alemanha, demonstrando apoio aos refugiados, o mesmo não podemos dizer da torcida do Maccabi Tel Aviv, clube de Israel.

Durante a partida de sábado (12), contra o Kiryat Shmona, pelo campeonato local, os torcedores da equipe abriram uma faixa com a frase: Imigrantes NÃO são bem-vindos.

Veja imagem:

Torcida do Maccabi Tel Aviv.

Torcida do Maccabi Tel Aviv.

Vale lembrar que o Maccabi Tel Aviv disputará a Champions League dessa temporada. Tanto a seleção israelense quantos os clubes daquele país são filiados a UEFA, ou seja, no “mapa do futebol” fazem parte da Europa. A equipe estreia na competição continental na próxima quarta, 16, contra o Chelsea, em Londres.

O preconceito da torcida parece vir ao encontro das palavras do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que durante as últimas semanas vem reforçando que o país não receberá refugiados de guerra sírios.

Se por um lado o preconceito se mostra presente nas arquibancadas israelenses, também existem mensagens mais conscientes. A torcida do grande rival do Maccabi, o Hapoel, abriu uma faixa (na foto abaixo) com os dizeres, “Quem não é um imigrante aqui?”, em referência à própria formação recente do Estado de Israel.

Torcida do Hapoel.

Torcida do Hapoel.

Filme do Pelé… e do Tostão, do Rivelino e da Romênia

Quanto eu tinha 8 anos a locadora perto de casa tinha dois filmes de futebol. Um se chamava “Isto é Pelé”, e tinha várias coisas incríveis que o Pelé fez durante sua carreira. E o outro tinha apenas escrito “Brasil, tri campeão”. Naquela época o Brasil tinha conquistado a Copa do Mundo apenas 3 vezes. Sendo a terceira, em 1970.

Aquele documentário em VHS, que não consegui achar no youtube e não era o filme oficial da FIFA sobre a Copa de 70, trazia apenas os melhores momentos dos jogos do Brasil.

Eu não cansava daquele vídeo. Enquanto minha irmã assistia a uma grande quantidade de filmes infantis, de animação a comédias norte-americanas, eu escolhia quase sempre o mesmo. O tal do filme da Copa de 70.

Logo de cara, o Brasil saía perdendo para a Tchecoslováquia. A seleção tcheca com um uniforme bem legal, todo branco com meias azuis. Mas aí tinha a falta do Rivelino e a sua comemoração explosiva, com raiva. Tinha o Pelé tentando fazer, e quase conseguindo, marcar um gol do meio de campo, tinha gol do Jairzinho com direito a chapéu no goleiro.

Na sequência o famoso jogo entre Brasil e Inglaterra. A partida é tão importante e tão bem documentada que nem vale se estender muito aqui. Que jogo! Com direito a uma das maiores defesas de todos os tempos. Gordon Banks, então goleiro do Stoke City, defendendo a cabeçada de Pelé. (vídeo da defesa abaixo)

Mas na sequência vinha o jogo que eu mais gostava de ver os melhores momentos naquele VHS. Brasil x Romênia. Hoje talvez eu prefira a partida contra os ingleses, ou quem sabe a batalha frente os uruguaios nas semifinais. Mas alguma coisa naquele jogo ofensivo entre brasileiros e romenos me agradava muito quando eu era garoto.

Figurinha da seleção da Romênia no álbum da Copa de 70.

Figurinha da seleção da Romênia no álbum da Copa de 70.

O Brasil abriu o placar aos 20 minutos. Pelé sofreu a falta, e como Rivelino não jogou aquele dia, o próprio camisa 10 bateu. Uma bomba. Golaço. Logo depois uma jogada: Paulo César Caju arrancou pela ponta e deixou para Jairzinho apenas o trabalho de desviar a bola para as redes. Naquela época (1970) tanto Paulo César Caju quanto Jairzinho eram atacantes do Botafogo do Rio.

Antes de terminar o primeiro tempo a Romênia, com Dumitrache, que era atacante do Dínamo Bucareste, diminui o placar. 2 x 1.

E no segundo tempo vem o toque de calcanhar do cruzeirense Tostão. Após escanteio do lado direito, Tostão, de primeira, toca de calcanhar e Pelé marca mais um. 3 x 1 para o Brasil. Após muita pressão a Romênia ainda descontou, Dembrovschi, que atuava pelo recém-extinto clube romeno Bacau, marcou.

Tostão e seu toque de calcanhar para Pelé.

Tostão e seu toque de calcanhar para Pelé.

Assistindo ao jogo agora percebo que talvez a Romênia tenha conseguido equilibrar um pouco mais o jogo porque o Brasil jogou com muitos reservas. Talvez. Fato é que aquele vídeo para mim era a chance de ver o Pelé, o Rivelino, o Tostão… e a Romênia de Dumitrache.

Para quem quiser assistir… ai está o jogo na íntegra na transmissão da TV romena na época.

Campanha “Jogo 10 da Noite, NÃO” é lançada nas redes

jogo 10 da noite nao-01

10 da noite! Enquanto a bola começava a rolar na Arena Itaquera, na Vila Belmiro e no Couto Pereira, as redes sociais assistiam ao lançamento da campanha “Jogo 10 da noite, NÃO!”. Idealizada pelo Coletivo Futebol, Mídia e Democracia, do Centro de Estudos Barão de Itararé, a página da campanha trazia em seu post de apresentação o seguinte texto:

10 da noite! Começa o jogo na emissora que comanda o futebol brasileiro.

Não concordamos com esse horário imposto pela Rede Globo.

Hora de jogo é hora que tem ônibus, trem e metrô disponíveis. O futebol é do povo e o povo tem que ter seus direitos respeitados.

Por isso gritamos em alto e bom som: JOGO 10 DA NOITE, NÃO!

Rapidamente um grande de número de compartilhamentos e curtidas confirmou o que o torcedor que frequenta estádios já sabe: o brasileiro não aprova o horário das 22h, e sabe que toda culpa é da Rede Globo, que escolhe não só os jogos que passa, mas também o horário e o dia em que acontecem.

Para informações sobre os próximos passos da campanha, acompanhe pela página no Facebook (aqui), ou siga o Coletivo Futebol, Mídia e Democracia, aqui!

O símbolo da campanha será produzido em cores que representam a maior parte das equipes do Brasil, o que reforça o caráter unitário da pauta. O futebol é do povo, é de todas as cores e de todas as torcidas. O futebol não é de uma emissora de TV.

verde-e-amarelo